A produção de conhecimento científico voltado à conservação ambiental ganha força por meio da parceria entre a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano). No Campus Xique-Xique, a parceria contribui para a execução de um projeto de biomonitoramento dos ambientes aquáticos da Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa de Itaparica, em Xique-Xique (BA).

Coordenada pelo professor Leonardo Resende, a iniciativa tem como objetivo implementar um programa de biomonitoramento de longo prazo na APA, utilizando comunidades de macroinvertebrados aquáticos como indicadores da qualidade ecológica dos ambientes. O projeto também prevê a criação e manutenção do Laboratório de Monitoramento Ambiental da Caatinga (Lamac) do IF Baiano, estrutura destinada às atividades de pesquisa.

A Lagoa de Itaparica é a principal lagoa marginal do Rio São Francisco e possui importância para as comunidades que vivem em seu entorno. A água é utilizada na criação de animais e a lagoa também funciona como estoque pesqueiro, sendo a pesca uma atividade essencial para a subsistência da população inserida na área de proteção ambiental. Nesse contexto, o biomonitoramento permite acompanhar a saúde do ecossistema a partir da análise dos organismos que vivem nesses ambientes.

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Estrutura para a pesquisa

Ao longo do primeiro ano de execução, os recursos administrados pela Funcern foram utilizados na aquisição de equipamentos, na montagem do laboratório e na realização dos estudos de monitoramento. De acordo com o professor Leonardo, a estruturação do laboratório representa um avanço importante para o projeto, já que o espaço não estava montado antes do início da iniciativa.

A gerente de Projetos da Funcern, Maria Isabel Dantas, destaca que a participação da Fundação contribui para dar condições de execução a iniciativas de pesquisa desenvolvidas pelas instituições apoiadas.Para ela, a parceria com o IF Baiano permite fortalecer um projeto que articula ciência, conservação ambiental e uma demanda diretamente relacionada às comunidades que dependem dos recursos naturais da região.

Com a estruturação do laboratório, a equipe pôde iniciar as atividades de campo. Entre março e maio de 2026, foram realizadas as primeiras coletas na Lagoa de Itaparica e em riachos intermitentes que descem da Serra do Asuruá e contribuem para o abastecimento da lagoa. O material coletado ainda está em processo de identificação e análise.

As análises preliminares realizadas até o momento indicam boas condições de preservação tanto da lagoa quanto dos riachos monitorados. Segundo o coordenador, os resultados apontam para ambientes com baixo impacto, o que representa um cenário positivo para a comunidade pesqueira e para o ecossistema como um todo. As análises conclusivas serão realizadas após a identificação de todo o material coletado.

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Ciência a serviço da conservação

Além de acompanhar as condições ambientais da lagoa, o projeto deverá produzir informações que poderão subsidiar a gestão da unidade de conservação. O relatório de monitoramento, com o diagnóstico da saúde do ecossistema, poderá contribuir para o plano de manejo da APA, auxiliando na identificação de áreas prioritárias para conservação e de possíveis ameaças ao ambiente.

Os resultados também deverão ser compartilhados com as comunidades que vivem no entorno da lagoa e com os gestores responsáveis pela área. Dessa forma, o monitoramento pode contribuir para ampliar o conhecimento da população sobre as condições ambientais do território e sobre possíveis medidas de preservação. Para o pesquisador, a manutenção de um ecossistema saudável está diretamente relacionada à manutenção das condições de subsistência das comunidades que dependem da pesca.

O trabalho terá continuidade com novas amostragens e análises dos organismos encontrados nos ambientes monitorados. A equipe também prevê a produção de publicações científicas a partir do material coletado e a consolidação dos dados necessários para a elaboração de diagnósticos mais robustos sobre a região.

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Parceria que amplia o alcance da pesquisa

O projeto também reúne instituições de ensino e pesquisa da região. Além do IF Baiano, professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) participam da iniciativa, com previsão de formalização da parceria para a continuidade do biomonitoramento. A proposta é ampliar gradualmente o trabalho para outros sistemas aquáticos considerados importantes para a região.

A iniciativa evidencia o papel das parcerias institucionais na criação de condições para o desenvolvimento da pesquisa científica. Com a contribuição para a estruturação do projeto e a execução das atividades de monitoramento, a Funcern fortalece uma ação que produz conhecimento sobre os recursos naturais e pode oferecer subsídios para a conservação ambiental e para a qualidade de vida das comunidades que dependem desses ambientes.

Com a continuidade das atividades, o projeto busca consolidar uma base de informações sobre a qualidade ecológica da Lagoa de Itaparica e dos demais ambientes aquáticos monitorados. A expectativa é que esse conhecimento contribua tanto para o avanço das pesquisas realizadas pelo IF Baiano quanto para o planejamento de ações de conservação na região.

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