Na noite da última segunda-feira (28), a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) promoveram um evento em celebração ao Festival da Lua, tradicional festividade chinesa. A iniciativa marcou também a recepção de novas professoras para os cursos de Mandarim, resultado da parceria entre a Funcern, o IFRN e a Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang (Zisu), localizada em Hangzhou, na China.
As festividades ocorreram na Reitoria do IFRN. A programação foi conduzida pela professora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cedida ao Instituto para cooperação técnica e atuação junto à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Propi), Nan Qi, e pelo diretor sistêmico de Internacionalização do IFRN, Bruno Venancio.
As professoras da Zisu, Zhang Yishuo e Zhang Qin, se juntaram às docentes da Zhejiang Agricultural and Forestry University (Zafu), que integram o quadro de professoras dos cursos de Mandarim. Yao Mengyi e Lu Yu (ou Maia e Lua, como foram chamadas pelos presentes) chegaram ao Brasil em julho deste ano como resultado do acordo de cooperação entre o IFRN, a Fundação e as universidades Zisu e Zafu, que previa a atuação de quatro professores nativos da China.
Para o gerente Administrativo e Financeiro da Funcern, Francisco Pontes, a ação é fruto de um trabalho intensificado em maio deste ano, quando uma comitiva formada por representantes da Fundação e do IFRN visitou a China durante dez dias, acompanhada por 28 estudantes dos cursos de Mandarim. Na ocasião, foram prospectadas novas parcerias com o objetivo de facilitar a mobilidade acadêmica nas áreas de pesquisa, ensino e extensão.
O reitor do IFRN, José Arnóbio, que esteve presente na missão à China, destacou que as atividades relacionadas ao projeto contribuem diretamente para a comunidade acadêmica ao aproximar os dois países e estreitar vínculos com instituições estrangeiras, iniciativa que considera fundamental para o desenvolvimento dos estudantes.
A pró-reitora da Propi/IFRN, Francinaide Nascimento, destacou que o intercâmbio cultural, profissional e educacional é uma via de mão dupla, com o envio de professores, pesquisadores e bolsistas de extensão para outros países. Para ela, o propósito é fazer com que o IFRN se torne cada vez mais uma instituição plurilíngue, por meio da continuidade da parceria sino-brasileira e de outras cooperações internacionais, inclusive na América Latina.

Programação cultural interativa
A programação do evento contou com a participação de artistas e músicos vinculados à UFRN e ao IFRN, com canções e declamações em chinês e português. Entre as atrações, estiveram o tenor Kaio Morais; o pianista Durval Cesetti; o flautista Evaneto de Albuquerque; os violinistas Sofia Confessor e Iago Barroso; a soprano Elke Riedel; e o Coral Infantojuvenil da UFRN.

As estudantes das universidades Zisu e Zafu também prestaram homenagens à terra natal. Wang Xinran, Zhang Qin e Zhang Yishuo recitaram um poema do poeta chinês da Dinastia Tang, Zhang Jiuling, “Olhando para a Lua e Pensando em Alguém” (Wangyue Huaiyuan / 望月懷遠). Na sequência, Yao Mengyi e Lu Yu, acompanhadas das novas intercambistas, cantaram a música “Que possamos viver por muitos anos” (Dan Yuan Ren Chang Jiu / 但愿人长久), baseada no poema clássico do século XI escrito por Su Shi.
Ao final do evento, as estudantes se juntaram à professora Nan Qi para a apresentação da canção “A Lua Representa Meu Coração” (Yue Liang Dai Biao Wo De Xin / 月亮代表我的心), com participação da plateia.

Festival da Lua
O Festival da Lua, ou Festival do Meio do Outono (Zhongqiu Jie / 中秋节), é uma das celebrações tradicionais mais importantes da China. As festividades acontecem no 15º dia do oitavo mês do calendário lunar, período associado à lua cheia. A tradição celebra a união familiar, a gratidão pelas colheitas e a harmonia entre as pessoas.
O feriado também é marcado pelo consumo do Bolo Lunar (Yuebing / 月饼), doce tradicional geralmente feito com uma massa fina e recheios que variam de acordo com a região. A tradição está associada a diferentes lendas da cultura chinesa, entre elas a história de Chang’e (嫦娥) e Yutu (玉兔), o Coelho de Jade, transmitida ao longo de gerações.
De acordo com uma das versões da lenda, durante anos a Terra sofreu com o calor provocado pela presença de dez sóis. O guerreiro Hou Yi (后羿) teria escalado uma montanha e abatido nove deles com seu arco e flecha, salvando a humanidade. Como recompensa, recebeu o elixir da imortalidade, que sua esposa, Chang’e, tomou, tornando-se impossibilitada de permanecer entre os mortais.
Após o incidente, Chang’e teria sido levada à Lua, onde passou a viver ao lado do Coelho de Jade. Hou Yi, por sua vez, passou o restante de seus dias admirando a Lua e lembrando-se de sua esposa. A história deu origem a tradições associadas ao Festival do Meio do Outono, marcado pela reunião de familiares, pela contemplação da Lua e pela oferta de alimentos em homenagem aos entes queridos.
Galeria de fotos
Texto produzido pela estagiária de Jornalismo da Funcern, Aryela Souza, sob supervisão do jornalista Max Praxedes.