O caminho para uma agricultura mais sustentável também passa pelo conhecimento compartilhado e pela valorização de quem cultiva a terra. Com esse propósito, a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) apoia o projeto Bioinsumos na agricultura familiar: fortalecendo a produção de alimentos saudáveis utilizando as tecnologias da natureza, desenvolvido pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A iniciativa aproxima a pesquisa da realidade do campo e incentiva práticas que respeitam os ciclos da natureza e contribuem para a autonomia das famílias agricultoras.
Voltado a agricultores familiares, assentados da reforma agrária e povos e comunidades tradicionais da Zona da Mata e da Caatinga pernambucanas, o projeto articula formação e estruturação de espaços para a produção de insumos biológicos. Entre as ações estão a implantação de dois pátios de compostagem, a estruturação de um laboratório de bioinsumos microbiológicos e a criação de uma unidade de produção. As atividades de capacitação complementam esse trabalho, compartilhando conhecimentos que podem ser incorporados ao cotidiano das propriedades rurais e contribuir para uma produção de alimentos mais sustentável.
Para a gerente de Projetos da Funcern, Maria Isabel Dantas, o apoio à iniciativa fortalece a parceria estratégica com o IFPE e amplia a atuação da Fundação no gerenciamento de projetos de pesquisa e extensão. Segundo a gestora, a proposta também contribui para o desenvolvimento social e econômico das regiões atendidas, ao aproximar os agricultores de conhecimentos e tecnologias que podem reduzir custos e favorecer a adoção de práticas sustentáveis. A iniciativa ainda apresenta potencial para fortalecer a segurança alimentar e incentivar a oferta de alimentos mais saudáveis, com benefícios para o meio ambiente e a sociedade.

Da natureza ao campo
Bioinsumos são produtos ou processos de origem microbiana, vegetal ou animal que favorecem as interações ecológicas e beneficiam o solo e a saúde das plantas. Entre eles estão biofertilizantes, bioestimulantes, biopesticidas e biocompostos, utilizados em processos como a fixação de nitrogênio e a disponibilização de nutrientes.
De acordo com a coordenadora do projeto, Aníbia Vicente, a proposta é que os agricultores aprendam não apenas a utilizar esses produtos, mas também a produzi-los nas próprias propriedades. A formação busca ampliar a autonomia das famílias e apresentar alternativas aos insumos químicos, com potencial para reduzir os custos de produção e a dependência de agroquímicos.

As capacitações abordam as características dos bioinsumos, seus modos de ação e as melhores práticas de aplicação. Também incluem discussões sobre políticas públicas, crédito e assistência técnica, em uma abordagem que integra ensino, pesquisa e extensão e envolve os agricultores nas diferentes etapas do projeto.
Com os conhecimentos adquiridos, a expectativa é que os participantes possam aprimorar o manejo do solo e os cuidados com a saúde das plantas, contribuindo para uma produção de alimentos mais segura. A iniciativa também busca fortalecer a organização comunitária e ampliar as condições para que as famílias produzam e utilizem seus próprios insumos biológicos.

Capacitação que começa na prática
Com duração de 12 meses, o projeto já realizou três módulos de formação, com atividades no Campus Vitória de Santo Antão do IFPE e no Assentamento Normandia, em Caruaru.
A programação começou nos dias 25 e 26 de maio, com a abertura oficial no campus do Instituto. No primeiro dia, uma palestra abordou políticas públicas para a agricultura familiar. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também participou, com discussões sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a comercialização agropecuária e os custos e preços agrícolas. No dia seguinte, as atividades no Assentamento Normandia trataram de questões agrárias e organização social.
Em julho, o segundo módulo introduziu os participantes ao tema dos bioinsumos e incluiu a entrega de kits de materiais didáticos. Já nos dias 22 e 23 de setembro, o terceiro módulo foi dedicado à compostagem, com uma etapa teórica no IFPE e outra prática no assentamento. Durante essa atividade, a equipe do projeto e os agricultores construíram conjuntamente uma leira de compostagem.
A participação direta dos agricultores aproxima o conhecimento técnico da realidade das propriedades rurais. A proposta é que a formação favoreça a aplicação prática dos conteúdos, considerando as necessidades dos participantes e as condições de produção da agricultura familiar.

Estrutura para ampliar a produção
Paralelamente às capacitações, seguem em andamento a estruturação do Laboratório de Bioinsumos Microbiológicos, a construção dos dois pátios de compostagem e a elaboração da planta baixa da unidade de produção. Os pátios estão previstos para o Assentamento Normandia, em Caruaru, e para o Campus Vitória de Santo Antão do IFPE.
A unidade de produção deverá contar com estrutura para fabricar e distribuir produtos biológicos aos agricultores familiares. A implantação desses espaços integra as etapas necessárias para viabilizar a produção dos insumos e ampliar as possibilidades de utilização das tecnologias apresentadas durante a formação.
As próximas atividades incluem conteúdos sobre biocompostos e microrganismos benéficos, seguidos de orientações sobre a produção de bioinsumos e sua aplicação nos cultivos das famílias participantes. O projeto também prevê a avaliação agronômica dos resultados, etapa que permitirá analisar os efeitos da utilização dos produtos nas atividades agrícolas.
Ao articular formação, infraestrutura e participação comunitária, o projeto busca criar condições para que agricultores familiares ampliem sua autonomia na produção e no uso de insumos biológicos. Nesse processo, o apoio da Funcern contribui para a execução da iniciativa e para o desenvolvimento de ações que aproximam pesquisa, extensão e alternativas sustentáveis para a agricultura familiar.

Texto produzido pela estagiária de Jornalismo da Funcern, Adrielen Vilela, sob supervisão do jornalista Max Praxedes.